Porque o Distillery Historic District não pode faltar no seu itinerário

Toda cidade tem aquelas atrações que não podem ficar de fora do itinerário de nenhum visitante. Em Toronto, é a CN Tower, o parque High Park e o Harbourfront. Mas, anote aí outra atração must que, por sua beleza, história e o que oferece, merece umas boas horas para ser explorada: o Distillery Historic District.

Situado à oeste do centro de Toronto, o que chamamos de Distillery Historic District (Distrito Histórico da Destilaria) é, na verdade, uma antiga fábrica de bebidas, a Gooderham and Worts, que começou como um moinho, em 1832, e chegou a ser a maior destilaria do Império Britânico (e do mundo, por algum tempo), no século 19, mas após seu fechamento, em 1990, caiu no esquecimento. Adquirida por um grupo de investidores privados em 2001, teve seus 47 prédios totalmente restaurados e, reabertos, em 2003, agora convertidos em centro cultural e de entretenimento, onde carro não entra.

Hoje, The Distillery, como os torontonianos a chamam, é o conjunto de arquitetura industrial vitoriana mais bem preservado da América do Norte e um dos lugares mais visitados de Toronto, tanto por turistas como por locais. Tem sempre algo interessante acontecendo por lá, como o Toronto Christmas Market em novembro, o festival de luzes Toronto Light Fest no início do ano ou feirinhas durante os meses quentes. Mas, mesmo não tendo nada a mais no calendário, o charmoso complexo, em si, já se basta, merecendo uma visita demorada.

Pisando em história

Assim que adentramos o complexo, é impossível não nos questionarmos como teria sido a vida por ali em seus tempos áureos, o que aquelas paredes grossas já testemunharam. Tudo em volta, a começar pelo piso de paralelepípedos irregulares (não vá de salto), nos convida a uma viagem no tempo, com fotos antigas de alguns de seus trabalhadores, maquinários ainda em exposição e mapas da época, de quando o lago Ontário ainda passava por aquelas bandas.

Se seu inglês for fluente e se gostar de história, faça uma visita guiada com o pessoal do Go Tours Canada, que pode ser motorizada, em cima de um segway.

Restrições para novos ocupantes

Uma das exigências dos novos proprietários da Distillery é que as instalações do complexo só deverão ser ocupadas por pequenos negócios: butiques, cafés, galerias, restaurante, instalações de arte. Nada de grandes franquias.

Não se paga nada para adentrar o complexo e dá para passar horas por lá, zanzando de loja em loja, parando para um café, um almoço, mais loja e mais café (ou uma cerveja, tequila ou um saquê?), um chocolate quente, mais compras…

Comida, diversão e arte

Não deixe de visitar a loja Bergo, lotada de souvenires inusitados; a chocolateria SOMA, famosa por seu chocolate quente espesso e de sabor intenso ou a concorrente, o café Cacao 70, com um cardápio imenso de bebidas e pratos à base de…exato, chocolate.

Restaurantes bons e diversificados é o que não falta. O mexicano El Catrin impressiona pela comida, deliciosa (mas apimentada, cuidado), com churros de sobremesa, pelo cardápio gigante de tequilas, pelo décor e pelo patio, lindo de morrer e disputadíssimo. Em dia de semana ainda dá para conseguir uma mesa para o almoço, mas à noite e em finais de semana, o lugar lota, com filas de virar a esquina. Aconselha-se reserva.

Do outro lado da rua, há o Pure Spirits Oyster, especializado em frutos do mar, com o clássico canadense Fish and Chips (filé de peixe com fritas) no cardápio e patio charmoso.

O francês Cluny Bistro, mais à frente, é outro que sai bem na foto e no estômago, com uma pequena padaria, café e restaurante chique mas casual.

O café Balzac’s, prata da casa (canadense, de Stratford, cidade natal do cantor Justin Bieber) fica numa das esquinas mais bonitas do complexo, ocupando um galpão de dois andares, de tijolos expostos e com um charmoso mezanino que faz as vezes de galeria de arte, com excelente ângulo para fotos do lustre espetacular do lugar.

Foto: Alessandra Cayley

Há arte dentro e fora dos prédios do complexo: a Gallery Indigena é especializada em obras de arte dos primeiros nativos do Canadá, com um acervo de mais de 500 obras, entre elas, esculturas em pedra, madeira e gravuras das tribos inuítes e iroqueses.

A galeria Thompson Landry Gallery dá um show de fusão do acervo minuciosamente curado com o estilo rústico de suas instalações. É a única da cidade a expor somente trabalhos de artistas da província de Quebec.

Na mesma rua, do lado de fora, duas esculturas tão impressionantes quanto antagônicas: a assustadora aranha gigante de 12 metros de altura, batizada de “IT” e a romântica “HEART”, por sua forma de coração.

Escultura HEART – Foto: Alessandra Cayley

Outra instalação de arte outdoor na rua do restaurante El Catrin é a LOVE LOCKS, com a palavra LOVE adornada por cadeados deixados por visitantes.  Se não tiver um em mãos, dá para comprar na barraquinha ao lado.

Como nos velhos tempos

Fazendo jus ao passado, o Distillery Historic District ainda produz bebidas alcoólicas, abrigando em suas instalações uma cervejaria, a Mill Street Brewery e uma produtora de saquê, Izumi, a primeira do leste da América do Norte. Ambas oferecem tour e degustação.

E para terminar, uma curiosidade: uma outra atração popular em Toronto, o prédio Flatiron, apelidado desta forma por seu formato lembrando um ferro de passar, foi construído em 1891 a pedido da família Gooderham, para abrigar seus escritórios. Situado no cruzamento das ruas Church, Wellington e Front, próximo ao mercado St. Lawrence Market, de onde a família podia avistar, naquela época, sua preciosa destilaria.

Prédio Gooderham Building ou “Flatiron” – Foto: Tourism Toronto

Como chegar:

De carro: O Distrito Histórico da Destilaria fica a minutos da rodovia Don Valley Parkway (DVP). Instruções aqui.

De transporte público:

  • Ônibus 65A Parliament: partindo da estação de metrô Castle Frank. Desça na parada Front St e caminhe até a entrada da destilaria na Mill Street.
  • Ônibus 121 Fort-York Esplanade: partindo da estação Union Station. Desça na parada das ruas Cherry Street e Mill Street.
  • Streetcar (bonde): 514 Cherry Streetcar, via King St. Desça na parada Cherry St.

 

Bom passeio! 

 

Fotos sem crédito: Distillery – Divulgação

 

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