VOLTA, o novo espetáculo do Cirque du Soleil em Toronto

 

Foto: Alessandra Cayley

Foi nesta terça-feira a noite de “estréia” do novo show do Cirque du Soleil em Toronto, VOLTA, e nós do VISITE TORONTO fomos lá conferir. “Estréia” entre aspas porque o espetáculo já está em cartaz na cidade desde o dia 7 deste mês mas, por causa do TIFF, que também começou neste dia, os organizadores resolveram transferir a noite oficial de premiere para outra data. E que noite, com direito a tapete vermelho e tudo, quer dizer, o deles foi preto, para celebs e personalidades canadenses, como a apresentadora do jornal CTV News, Michelle Dubé.

À esquerda: Michelle Dubé, apresentadora do jornal CTV News, no carpete preto do Cirque du Soleil (foto: Alessandra Cayley)

Seria chover no molhado dizer que saímos de lá extasiados e embasbacados com o que vimos, porque é desta forma que espera-se sair de uma apresentação do Cirque du Soleil. Outra reação esperada é se questionar como é possível que a trupe consiga inovar-se e continuar nos surpreendendo a cada novo espetáculo, nova temporada, nova apresentação, o que ela vem fazendo há mais de três décadas.

Um pouco de história

O Cirque du Soleil é uma companhia circense canadense, nascida em 1984, para as comemorações da cidade de Quebec dos 450 anos do descobrimento do Canadá pelo explorador francês Jacques Cartier. Começou modesta, como trupe de rua, com apenas 20 membros. Hoje, é a maior companhia circense do mundo, com mais de 4 mil funcionários, sendo 1.300 artistas de palco, vindos de mais de 50 países.

Para quem não sabe, neste circo não há espaço para apresentações com animais. Todos os números são executados por seres humanos que, de tão magníficos, às vezes fica difícil acreditar que são mesmo de carne e osso como a gente, tamanha a precisão, leveza, flexibilidade e audácia de suas apresentações.

Cirque du Soleil divulgação. Créditos – Foto: Michael Kass/Figurino: Zaldy

Por essas e outras (e pelo circo estar em Toronto), já poderíamos justificar um post sobre o Cirque du Soleil por aqui, mas ainda temos mais um motivo: desta vez, ele veio de mala e cuia ou melhor, de tenda e cuia: o VOLTA será apresentado na famosa tenda branca do Cirque du Soleil, batizada de Big Top, o que já é um acontecimento em si, porque ela não acompanha todos os espetáculos.

Nos 33 anos do circo, ela foi montada 625 vezes, em seis continentes, crescendo com o tempo: a primeira tinha capacidade para apenas 800 pessoas. Hoje, abriga 2.500 pessoas com conforto. A desta temporada ganhou listras cinzas para contrastar com o branco que a fez característica e que ajuda a conter os efeitos do sol sob ela. Para montá-la, foi necessário um time de mais de 50 pessoas e 71 caminhões para o transporte, junto com as 2.000 toneladas de equipamentos e os 120 funcionários de 25 nacionalidades diferentes (tem brasileiro aí no meio).

Circo ou teatro?

Diferente de um circo comum, onde cada apresentação é feita de forma separada, sem interconexão entre elas, cada espetáculo do Cirque du Soleil é uma história só, com nome e enredo, começo, meio e fim.

Além dos usuais personagens circenses, como: malabaristas, acrobatas e, claro, palhaços, outra característica que o difere é a utilização de músicos e cantores no elenco. Afiadíssimos, por sinal.

Tudo é executado ao vivo e em meio às acrobacias, numa harmonia perfeita de ópera e velocidade caótica de show de rock, abusando de efeitos de palco, como: figurino (só para o VOLTA são mais de 1.200), maquiagem, iluminação e cenário, o que faz de um espetáculo do Cirque du Soleil estar mais para uma apresentação teatral do que de circo.

Assim, tal qual fazemos antes de ver uma peça de teatro, procure conhecer com antecedência o enredo do show do Cirque du Soleil que irá assistir. Esse pequeno detalhe irá mudar totalmente sua experiência.

Cirque du Soleil divulgação. Créditos – Foto:Patrice Lamoureux/Figurino: Zaldy

Um pouco de estória

VOLTA fala sobre a liberdade de escolha e a alegria que dá quando somos donos do próprio destino. Conta a estória de WAZ, um apresentador de um show de perguntas e respostas na TV que, na busca da fama, acabou esquecendo-se do seu eu interior.

Quando a crise existencial bate (bem no meio do seu milésimo show), ele se depara com os personagens FREE SPIRITS (Espíritos Livres) que o ajudam a reconectar-se consigo mesmo, por meio de memórias da infância, há muito esquecidas. Em sua busca frenética pelo sentido da vida, será que WAZ vai ter coragem para desistir da fama, voltar-se para si mesmo e ser feliz de verdade?

Para materializar com propriedade a tal da “busca frenética”, elementos de esportes de movimentos como bicicross e parkour (treino de transposição de obstáculos) foram incorporados ao espetáculo, em performances de tirar o fôlego, ancoradas por cenários futurísticos, com muita luz de LED e efeitos de iluminação de cegar a platéia, além de trilha sonora e-le-tri-zan-te.

Os personagens ELITE, paródia sobre a paranóia dos selfies. Foto: vídeo divulgação Cirque du Soleil

O elemento surpresa, como em todas as apresentações do Cirque du Soleil, também é muito bem utilizado em VOLTA, com jogos de luzes e sombras e acrobatas aparecendo e sumindo de tudo quanto é lado do palco: de cima, de baixo, dos lados, de um canto na penumbra que a gente nem percebeu que existia, até então.

Fica difícil pontuar este ou aquele melhor momento, porque o conjunto todo é muito bom mas, das atuações, destacamos as acrobacias fenomenais do pessoal do bicicross, com coreografias perfeitas, executadas em rampas que se movem pelo palco, submergindo do chão e desdobrando-se feito matrioskas, as bonecas russas que cabem umas dentro das outras.

Foto: vídeo divulgação Cirque du Soleil

Outra apresentação sensacional é da brasileiríssima Danila Vieira Biem, com uma coreografia onde a artista dança e voa pelo palco, suspensa pelo cabelo…

O Brasil sendo bem representado no Cirque du Soleil! (Divulgação. Créditos – Foto: Patrice Lamoureux/Figurino: Zaldy)

A turma do bicicross volta em cena diversas vezes e quando a gente acha que já viu tudo, lá vem eles com mais acrobacias e piruetas, desta vez utilizando seis rampas de skate totalmente transparentes (para não obstruir a visão do público), feitas de um policarbonato resistente, usado em vidros à prova de balas, para aguentar o impacto das manobras. Só não vamos falar em qual momento do show para não estragar a surpresa!

Divulgação. Créditos – Foto: Patrice Lamourex/Figurino: Zaldy

 

Cirque du Soleil VOLTA

De 7 de setembro a 26 de novembro

Port Lands –  51 Commissionners Street 

Ingressos a partir de $49

 

 

Para chegar lá de carro

Vindo do norte ou leste da cidade:

Pegue a DVP South até a saída da Lakeshore Blvd, que se torna The Don Roadway depois do semáforo. Vire à direita (oeste) para a rua Commissionners Street.

 

Vindo do oeste da cidade:

Pegue a Gardiner Expressway East até o final, que se torna Lakeshore Blvd East. Vire à direita (sul) na Carlaw Ave e direita novamente (oeste) para a rua Commissionners Street.

Preço do estacionamento: CAD$ 20 (incluído no preço do ingresso VIP)

É possível agendar uma vaga para o seu carro com antecedência aqui.

 

De transporte público

Confira o website to TTC para a rota de ônibus 72 Pape.

 

Não jogue seu ingresso fora!

Alguns restaurantes estão oferecendo descontos e ofertas para antes e depois do espetáculo, durante toda sua temporada em Toronto.

 

Bom espetáculo!