Vai parecer comentário de quem trabalha na área do turismo e entretenimento, mas não, é só conselho de amigo, mesmo: vez ou outra, você deveria fazer um tour. Qualquer tour: seja de atrações, de hotéis, de compras, de comida; durante suas férias, numa cidade próxima à sua ou, por que não? Na sua cidade, em sua própria vizinhança.

Passeios guiados funcionam como uma mão extra de verniz aplicada no que virou cotidiano, no trivial. Quantas vezes não passamos na mesma rua, todos os dias mas não sabemos nada dela? A fachada de um prédio, o porquê de um monumento ou a história por trás de um comércio.

Casos, fatos e relatos engrandecem, ainda mais, situações e lugares que sempre sonhamos em conhecer, seja um castelo numa terra longínqua, o país de nascimento de nossos ancestrais ou a cidadezinha do resort que passamos as últimas férias.

Ontem, participamos de um tour, organizado pelo pessoal do Culinary Adventure Co., e que juntou duas coisas que adoramos fazer: explorar cada cantinho de Toronto e comer comida boa.

A rota escolhida foi a porção oeste das ruas King St e Queen St, trechos tidos como os mais descolados da cidade; e não somos só nós que dizemos isso, não: a revista Vogue elegeu a Queen St West como a segunda vizinhança mais cool do mundo, só perdendo para Shimokitazawa, em Tóquio (o centro de São Paulo vem em quinto lugar, parabéns!).

O formato do tour foi estilo brunch: começamos às 11 da manhã e terminamos por volta das 2 da tarde.

Podemos começar?

Nosso ponto de encontro foi na frente do popular Portland Variety, que funciona como um café na frente e restaurante nos fundos. Também foi nossa primeira parada, para nos abastecermos de café, para acordar, e um cookie gigante de chocolate, para garantir energia extra para a maratona que nos aguardava.

Cookie de chocolate do Portland Variety: enorme, crocante por fora e macio por dentro, como um bom cookie tem que ser!

Abastecidos, começamos a caminhada, parando num ponto inusitado: o Graffiti Alley, ou Beco do Graffiti. Com cerca de 1 quilômetro de extensão, ocupa a Rush Lane, entre as ruas Spadina e Portland. A viela é conhecida, por aqui, por servir de pano de fundo para cenas do show do comediante canadense, Rick Mercer, da emissora CBC.

Toda a grafitagem é feita de forma legal e por artistas locais e internacionais. Esta, da matéria, é uma das mais famosas, feita, curiosamente, com tinta anti-graffiti, assinada pelo grafiteiro canadense, Uber 5000.

Hora do brunch

De lá, prosseguimos para a porção brunch do tour. O restaurante escolhido foi o La Mesa, de comida filipina, recomendado como um dos melhores da cidade, na categoria. Apertadinho mas aconchegante, fomos servidos de arroz, ovo frito, mandioca frita, medalhão de chouriço e salada verde. Lembrou a comidinha lá de casa? Pois é, a culinária filipina tem grande influência chinesa e espanhola, daí a similaridade. Também utiliza muito alho, como tempero. Caiu bem no estômago desta blogueira faminta!

Para acompanhar, coquetel à base de calamansi (fruta cítrica parecida com limão) – quase um primo distante da nossa caipirinha, só que este, levando vinho prosecco ao invés de cachaça ou vodca.

De lá, mais uma caminhada até chegarmos na pizzaria North of Brooklin, com pizzas fininhas e crocantes. Dividimos uma tamanho-família, de queijo mussarela, kale e bacon, tudo crespinho e saboroso.

Como o tempo estava bom, a boquinha rolou ali mesmo, na calçada, com direito à sessão de fotos!

Com a nossa turma é assim: primeiro clica, depois come!

Parada inusitada

Mais alguns quarteirões e foi a vez de parar na rede de açougues, Cumbrae’s. Por que um açougue num tour, certo? Porque não é qualquer açougue, mas “o” açougue, uma espécie de empório de comidas gourmet. Conhecido por quem aprecia carnes de boa qualidade e procedência, vende também comidas prontas congeladas, queijos, vinagres, azeites e frios.

Ao fundo da loja, ficam expostas as peças de carnes em maturação, com etiquetas mostrando a data do abate e tempo do processo.

Fomos recebidos com prosciutto de Parma, um tipo de presunto curado a seco e servido em fatias finíssimas.

Sugar rush

Andamos mais um pouco e paramos no Sud Forno, uma das padarias mais maravilhosas da cidade, sem exagero algum na descrição. Se não acreditam, deem uma olhada na foto abaixo:

Os quinze minutos de fama (e de vida!) dos bombolini do Sud Forno!

Essas bolotas chamadas de bombolini (minibombas, em italiano) parecem os nossos sonhos, aí do Brasil, mas são recheadas com creme de avelã Nutella. Leve e melequento, derrete na boca de tão fresquinho.

O creme de avelã jorra de dentro desta gostosura e parece não acabar nunca!

A saideira

Na última parada do dia, quando já achávamos que nada mais nos convenceria a comer, tão cedo, fomos levados para o café Delysses. Nas vitrines, éclairs (bombas de chocolate), docinhos e macaroons tão delicados que mais pareciam de resina, ali só para admiração (mas não, eram todos verdadeiros).

Fomos recebidos com chá, café e uma forma de croissants, que acabara de sair do forno, assada especialmente para o nosso grupo. Sem sombra de dúvida, o melhor croisssant de Toronto. De tão leve e aerado, dá para vê-lo murchando, o ar escapulindo, logo na primeira mordida. O que fica é uma perfeita combinação do crocante das camadas de fora com o miolinho fino e úmido de dentro. Um arraso.

O melhor croissant de Toronto

E ali nos despedimos, com a barriga cheia de boa comida, a cabeça cheia de informação e o coração ainda mais cheio de amor por Toronto.

 

Por falar em amor, o tour, que durou cerca de três horas, reuniu bloggers e influenciadores da cidade, e foi parte de uma campanha para a divulgação do trabalho do pessoal do Mealshare, uma ONG dedicada ao combate à fome no Canadá. Os participantes não pagaram nada pelo tour mas foram convidados a contribuir com doações em dinheiro para a causa.